novembro 13, 2007
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Após vinte anos desde o referendo realizado na Itália, a energia do átomo volta a dividir. Aos 8 e 9 de novembro de 1987, os três quesitos que exigiam o bloqueio da corrida prefencial pelos implantes nucleares obtiveram uma avalanche de sim; hoje um novo temor, o da mudança climática produzido pelo uso dos combustíveis fósseis, redimensionou o velho temor, relançando o partido do átomo. A reportagem e a entrevista com Jeremy Rifkin é de Antonio Cianciullo e publicada pelo jornal La Repubblica, 7-11-2007.
Devemos esperar uma reviravolta energética?
“Uma perspectiva desse gênero seria devastadora: um gigantesco desperdício de dinheiro e de oportunidades”, responde Jeremy Rifkin, teórico da economia do hidrogênio e consultor da União Européia para as estratégias energéticas. “A Itália é um país que tem grandes possibilidades no campo da eficiência energética e das fontes renováveis. Pode fazer uso de um bom potencial em campos estratégicos, como o solar e o eólico. E tem centros de pesquisa, como a Universidade do hidrogênio em Monópolis, na Puglia, que podem estimular o nascimento de uma fileira produtiva nacional.
Mas, a pressão do partido pro-nuclear cresce.
Eu creio que boa parte dos políticos que falam de nuclear agitem um espantalho que serve somente para bloquear a revolução industial na direção da eficiência e das energias renováveis. O verdadeiro objetivo é manter congelada a situação atual, desfrutando do petróleo até a última gota, descuidados da ameaça da mudança climática.
E no entanto, segundo os dados da Agência internacional para a energia, o impulso para o átomo não é apenas teórico. Ente 1992 e 2005 o nuclear da fissão usufruiu de 46 por cento dos investmentos em pesquisa e desenvolvimento e o nuclear da fissão de 12 por cento, enquanto às renováveis foram somente 11 por cento.
Estes números confirmam a minha tese. Não obstante investimentos maciços em nível global, o nuclear está substancialmente firme nos 6 por cento da energia. E, em perspectiva não se pode aceitar a hipótese de um crescimento capaz de se contrapor ao aumento do efeito serra. Uma central nuclear custa dois bilhões de dólares e, segundo um estudo do Oxford Research Group, para obter uma redução visível do aquecimento climático usando a energia atômica seria preciso construir milhares de instalações nucleares até 2070: uma profileção descontrolada e perigosíssima.
Você pensa que a oposição ao nuclear seja hoje majoritária na Europa?
Há seis boas razões para que isto ocorra. A primeira eu enunciei: os custos de construção que afastaram os investidores privados. A segunda são os lixos radiativos: o cemitério que os Estados Unidos querem constituir na Yucca Mountain, em Nevada, custou 18 anos de pesquisa e 9 bilhões de dólares e não oferece as garantias necessárias. A terceira razão é que o urânio não é abundante: no ritmo do consumo atual se registrará um déficit em torno de 2025. E passar aos reatores autofertilizantes, isto é, ao plutônio, é a quarta razão pelo qual digo não: significa fornecer material de pronto uso a um terrorismo sempre mais ameaçador. O quinto motivo para bloquear o nuclear é que as instalações atômicas necessitam de uma matéria prima que se tornará sempre mais rara: a água. Na França, 55 por cento da água doce são utilizados para esfriar as 59 centrais nucelares existentes e, durante a seca de 2003, isso já revelou ser um calcanhar de Aquiles do sistema”.
A resposta não poderia vir dos reatores de quarta geração, menores e mai seguros?
Falamos de uma tecnologia que poderia, em teoria, estar pronta daqui a uns vinte anos. Não temos tanto tempo à disposição: para reduzir o aquecimento global, evitando danos irreparáveis e catastróficos é necessário agir imediatamente. Além disso, há o sexto motivo que impele ao bloqueio do revanchismo nuclearista. Investir tempo e energia na construção de instalações nucelares significa retirar recursos ao futuro, bloquear a terceira revolução energética: a de um sistema leve e decentrado, no qual a energia e a informação corram por demandas. Urânio e petróleo são expressão de um velho modo de produzir, verticalista e centralizado. Nós estamos na era da Internet e do Youtube. O modelo vencedor é a rede flexível: computadores inteligentes que permitem comprar e vender eleetricidade, software capazes de orientar e dosar os fluxos de energia em função das necessidades do momento, preços que flutuam de acordo com os horários, a fim de auto-regulamentar os consumos.
Para ler mais:
Virada dramática na história da humanidade. As propostas de Jeremy Rifkin
Empresas de energia solar e eólica já rivalizam com usinas a gás ou carvão
A próxima revolução vem do campo, afirma Jeremy Rifkin
(www.ecodebate.com.br) entrevista publicada pelo IHU On-line, 11/11/2007 [IHU On-line é publicado pelo Instituto Humanitas Unisinos - IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, em São Leopoldo, RS. ]
novembro 13, 2007
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[EcoDebate] A mangueira é um dos símbolos históricos de Belém, mas devemos considerar que, à época em que foi efetivamente empregado como elemento de arborização urbana, não havia ruas asfaltadas, calçadas, linhas de transmissão de energia elétrica e telefonia, elevado número de construções civis e fluxo intenso de veículos. Nos dias atuais, com todos esses elementos presentes, há necessidade de podas drásticas que descaracterizam as mangueiras completamente, pois nossos administradores sempre entenderam que a natureza deve se adequar às obras dos homens, quando correto é as obras dos homens se adequarem à natureza. Um agravante é o fato das raízes das mangueiras serem do tipo tabular, ou seja, são mais superficiais do que profundas, crescendo para os lados e ficando expostas na superfície do solo, estabelecendo-se aí uma verdadeira disputa por espaço entre as árvores que arrebentam as calçadas e o homem que corrige o calçamento.
novembro 13, 2007
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Se não problematizarmos o perfil da demanda e o modelo de desenvolvimento vigente no país, estaremos sempre à beira de um próximo apagão, e dispostos a sacrificar novamente o que for necessário. Mas necessário para quem?
[Correio da Cidadania] O objetivo do projeto Complexo Madeira é muito simples: o aproveitamento total do maior afluente do Amazonas seja para fins hidroelétricos seja para fins hidroviários. O Complexo Madeira só se realiza, portanto, como um não-Rio Madeira, com a negação igualmente total de todas suas formas de vida e de cultura que, no rio e por causa do rio, proliferaram e interagiram. Uma grande artéria da bacia amazônica está sendo pinçada pelos grandes grupos econômicos nacionais e transnacionais. Esse impressionante sistema de bombeamento de água, sedimentos e vida – que é o rio Madeira correndo para o Amazonas – corre o risco de ser interrompido caso se construam as duas usinas que dão início ao Projeto Complexo Madeira, composto por mais duas hidroelétricas e uma hidrovia em direção ao Oceano Pacífico.
novembro 13, 2007
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Para o jornalista e ambientalista Washington Novaes, “está faltando uma discussão mais aprofundada e clara com a sociedade sobre a situação real da crise na matriz energética”. Antes de pensar em aumentar as fontes de energia, Novaes ressalta que é importante discutir sobre a potência instalada, a oferta disponível e a demanda real.
Na entrevista a seguir, concedida por telefone à IHU On-Line, ele critica a construção de Angra III e chama a atenção para um possível risco na utilização dos biocombustíveis. Ao invés de ser uma solução para o País, eles podem se transformar num problema. A plantação incorreta de cana-de-açúcar, por exemplo, pode acabar com a agricultura familiar, o que contribui para “promover o inchaço das cidades e das periferias urbanas”, explica o ambientalista.










