setembro 24, 2007

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Em debate: Algumas reflexões sobre o ambientalismo atual, por Henrique Cortez

[EcoDebate] Já sabemos que o planeta passa por uma grave crise sócio-ambiental, mas nem sempre é claro que o ambientalismo também se debate com diversas questões conceituais, éticas e pragmáticas.

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setembro 24, 2007

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Sua Magestade, a mamona, por Ana Echevenguá

admin

[EcoDebate] A produção de biodiesel já é uma realidade no semi-árido do Nordeste brasileiro, região responsável por 15% do diesel consumido no Brasil. Lá, a EMBRAPA fornece mudas de alta produtividade para a cultura de oleoginosas que não exija irrigação, como a mamona, o pinhão manso e o algodão.

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setembro 22, 2007

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Energia eólica: vantagens, desafios e eficiência. Entrevista especial com Júlio César Passos

Qual é o rumo que o País tomará em relação à produção de energia? Essa é uma das perguntas que permeiam os movimentos sociais em prol do consumo de energia que não denigra o nosso meio ambiente e o nosso povo. Assim, a IHU On-Line entrevistou o professor Júlio César Passos, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que é membro organizador da Eco Power Conference, que acontece de 28 a 30 novembro em Florianópolis. Nesta entrevista, concedida por e-mail, o professor fala sobre energia eólica e dos incentivos em relação à produção de energias alternativas.

Júlio César Passos trabalha no Laboratório de Engenharia de Processos de Conversão e Tecnologia de Energia do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Santa Catarina e é um dos integrantes do Comitê Técnico da Eco Power Conference.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Que vantagens ambientais e socioeconômicas a energia eólica propõe?

Júlio César Passos - A principal vantagem é tratar-se de uma fonte renovável de energia que não agride o meio ambiente. A energia eólica também pode auxiliar na conservação ou regulação de outras fontes devido à complementaridade. Por exemplo, a geração de eletricidade a partir da energia eólica pode possibilitar o armazenamento de água dos reservatórios de usinas hidrelétricas, em períodos de seca, desde que se tenha um bom procedimento de previsão de capacidade de geração eólica. A energia eólica, assim como outras fontes renováveis de energia, dentre elas a solar e a biomassa, são apontadas como capazes de permitir que alcancemos, nas próximas décadas, um desenvolvimento sustentável.

É importante lembrar que na Alemanha, energia eólica é sinônimo de indústria com alto valor agregado e empregos bastante especializados. Além disso, a indústria eólica na Alemanha também permitiu que fossem criadas várias pequenas empresas de fabricantes de componentes, freios, instrumentação, além de empresas de serviços de serviços de montagem e reparos de aerogeradores. Por que não poderemos, também, partir para este tipo de empresas? Isto será possível desde que o Brasil opte por desenvolver tecnologias das indústrias de energias renováveis, de um modo geral. Caso contrário, seremos apenas importadores de tecnologia.

IHU On-Line – Dizem que esse tipo de energia é mais cara do que a gerada pelas hidrelétricas…

Júlio César Passos - Sim, de um modo geral, as tecnologias baseadas nas energias que são intrinsecamente intermitentes, como o são a eólica e a solar, são bem mais caras do que a gerada por hidrelétricas. Por sua vez, as hidrelétricas de grande porte são bem mais baratas do que as PCHs-Pequenas Centrais Hidrelétricas (com potência menor do que 30 MW (trinta megawatt)). No último leilão do Proinfa – Programa de Incentivo à Geração de Eletricidade por Fontes Alternativas, a remuneração do MWh (megawatt-hora) de energia eólica, para o parque Eólico de Osório, foi fixada em R$ 231,00 enquanto o MWh de fonte hídrica (PCHs) ficou entre R$ 110,00 e R$ 114,00. Portanto, a participação da energia na matriz energética deve ser vista como complementar, em função de seu elevado custo e do seu caráter intermitente.

IHU On-Line – Como o senhor percebe os investimentos nessa área? Falta incentivo do governo para que mais empresas apostem nesse segmento?

Júlio César Passos - No Brasil, apesar de ainda nos encontrarmos em um estágio inicial já demos o primeiro passo com a aprovação de projetos pelo Proinfa – Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica, que exige o índice de nacionalização mínimo de 60% e que prevê completar a instalação de 1420 MW (mega watts) de potência de aerogeradores (AGs). Atualmente, estima-se que a capacidade instalada, no Brasil, situa-se em torno de 230 MW. O Brasil já fabrica pás para grandes AGs, há bastante tempo, em Sorocaba-SP, onde há duas fábricas de pás. Também já temos duas fábricas de máquinas que fabricam esses modernos e grandes AGs no Brasil: trata-se da Wobben Windpower, da subsidiária alemã Enercon (maior fabricante alemão), com uma fábrica no Ceará e outra em Sorocaba.
Mas os incentivos do Proinfa parecem não ser ainda suficientes para atrair um maior número de investidores. Também o número de pesquisas com a participação de universidades, governo e empresas ainda é pequeno e de forma descontinuada.

IHU On-Line – Por que só agora o País demonstra mais interesse em investir nesse tipo de energia?

Júlio César Passos - É largamente conhecido que a queima de combustíveis fósseis produz dióxido de carbono (CO2) que contribui pra o aquecimento da atmosfera terrestre. A energia eólica aparece como uma possibilidade de energia limpa, complementar às outras fontes.

IHU On-Line – Para que a energia eólica seja mais eficiente, em que lugares do País deveriam ser construídos os parques eólicos?

Júlio César Passos - No Sul do Brasil, existem as localidades de Palmas (PR), Laguna (SC), Água Doce (SC), Bom Jardim da Serra (SC) e Osório (RS), com bons ventos para geração eólica. Ventos bons são aqueles que atingem pelo menos uma média anual de seis metros por segundo. Os ventos do litoral do Nordeste do Brasil, principalmente no Ceará e no Rio Grande no Norte, são excelentes e chegam a alcançar uma média anual de oito metros por segundo. É importante que a velocidade do vento, ao longo do ano, apresente-se relativamente uniforme a fim de permitir um funcionamento do AG sem muita manutenção. Apesar de grande, os modernos AGs necessitam de proteção e são colocados em situação de não-rotação (parada), quando a velocidade do vento é muito elevada, acima de 25 m/s.  Uma rajada de vento muito forte, por exemplo, poderia quebrar o aerogerador, que pode ser considerado como um computador grande programado para gerenciar várias tarefas, inclusive conectar e desconectar o gerador elétrico do AG à rede elétrica, mudar a orientação do AG em relação ao vento, variar o ângulo das pás, entre outras.

IHU On-Line – A Região Norte do País poderia ser beneficiada com esse tipo de energia?

Júlio César Passos - Infelizmente, a Região Norte não possui ventos com boa velocidade que permitam o investimento de grandes AGs. Apesar disto, alguns projetos pilotos com pequenos aerogeradores foram desenvolvidos pela UFPA – Universidade Federal do Pará em localidades isoladas, onde não há redes elétricas. Neste caso, a energia elétrica gerada por esses pequenos aerogeradores é armazenada em bancos de bateria.

IHU On-Line – Como o senhor percebe o parque eólico de Osório no Rio Grande do Sul? Ele pode servir de modelo para a construção de outros parques no Brasil?

Júlio César Passos - O parque de Osório apresenta como principal novidade o fato de que suas máquinas são as maiores até agora instaladas, no Brasil, com AGs de 2MW, com 71 metros de diâmetro de rotor e eixo a 98 m do solo. Portanto, são máquinas maiores do que aquelas instaladas em Santa Catarina (600 kW) e mesmo no Ceará e Rio Grande do Norte. Se quisermos avançar no conhecimento do funcionamento desses parques, será fundamental a instrumentação com anemômetros e o acompanhamento do que está sendo gerado em cada parque, ao longo de vários anos. Quais são as interferências, por exemplo, que a energia gerada por esses parques podem causar quando lançada na rede elétrica? Na Alemanha, é assim que tem sido feito, e isto explica por que os alemães estão na frente e exportam tecnologia. Além disso, a pesquisa aplicada nesta área também pode ser geradora de mão de obra altamente especializada.

IHU On-Line – O Brasil perdeu espaço na corrida pela energia eólica para países como Alemanha e EUA?

Júlio César Passos - A energia eólica para geração de eletricidade está associada aos modernos aerogeradores (AGs) de eixo horizontal, com três pás, conectados diretamente à rede elétrica, cujos diâmetros já chegam a passar de 110 m, ou seja, equivalente ao comprimento de um campo de futebol. Os AGs são máquinas de alta tecnologia e compõem-se de vários sistemas operando por meio de computadores que podem mudar o ângulo das pás em relação ao vento, a fim de se obter maior aproveitamento da energia do vento. O campeão mundial de número de máquinas instaladas, quase 20.000 AGs, é a Alemanha, cuja capacidade instalada é de 21.000 MW (megawatts), seguida pela Espanha e pelos EUA, ambos em torno de 10.000 e 9.000 MW, respectivamente. No caso da Alemanha, é importante observar que a energia eólica representa uma verdadeira indústria, geradora de milhares de empregos.

Os estudos não param e novos desafios surgem para os fabricantes. Com o aumento do tamanho médio dos aerogeradores, tem sido possível diminuir o preço por kW (quilowatt) instalado. A instalação de aerogeradores em parques offshore também coloca outros desafios, no que se refere à resistência de novos materiais. O fabricante Enercon, líder da Alemanha, desenvolveu um aerogerador em que não há caixa de transmissão permitindo o acoplamento do eixo da turbina diretamente ao eixo do gerador elétrico.
Portanto, trata-se de uma tecnologia bastante sofisticada, na qual o Brasil começa a dar os primeiros passos.

Mas é necessário dar mais incentivos para a pesquisa nessa área, não apenas para a tecnologia da máquina, mas também para a questão do potencial eólico e para a previsão de ventos para a geração de eletricidade. Por exemplo, ainda não dispomos de dados do vento de longo prazo (10 anos ou mais), o que é fundamental para se determinar o potencial eólico confiável de um lugar. Na UFSC, orientamos uma dissertação de mestrado, defendida em março de 2007, com dados de vento fornecidos pela Celesc (Centrais Elétricas de Santa Catarina), onde se analisou o potencial eólico de vários sítios eólicos de Santa Catarina como também se implementou um método de previsão de ventos, a partir de dados de vento calculados através de modelos meteorológicos pelo CPTEC-INPE.

IHU On-Line é a revista semanal do Instituto Humanitas Unisinos – IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos. (www.ecodebate.com.br) entrevista publicada pela IHU On-Line – 20/09/2007

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setembro 22, 2007

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Riacho Estrela : a nascente aterrada, por Mayron Régis

No Baixo Parnaíba maranhense, as visões divergentes sobre o mundo bravio se afunilaram e se afunilam em possessões e tentativas de possessões de áreas prioritárias para a conservação do bioma Cerrado e para o congraçamento das suas populações tradicionais. Os artesãos do povoado de São João dos Pilões – município de Brejo – que o digam; incorreram no erro de venderem suas posses aos plantadores de soja – se pudessem, corrigiriam esse rumo que os levou à completa escassez dos pequizeiros na região de São João dos Pilões.

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setembro 22, 2007

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Nova safra da cana, mais exploração, por Maria Luisa Mendonça

admin

,

E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).
(“Morte e Vida Severina”, João Cabral de Melo Neto)

Adital – Setembro de 2007. Uma nova safra da cana começa em Pernambuco. Nesta safra, a produção de cana-de-açúcar deve ser 15% maior do que no ano passado, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB). Essa expansão deve-se principalmente ao aumento da produção de etanol, que deve chegar a 21 bilhões de litros, enquanto em 2006 o Brasil produziu 17 bilhões de litros do produto.

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setembro 22, 2007

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Destruição ambiental ameaça crescimento, por Vinod Thomas

As iniciativas dos países desenvolvidos continuam a ser muito importantes, mas o papel dos grandes países emergentes está crescendo

[Folha de S.Paulo] O RÁPIDO crescimento da economia mundial na última década só poderá continuar se a destruição ambiental e as mudanças climáticas forem revertidas. As iniciativas necessárias dos países desenvolvidos continuam a ser muito importantes, mas o papel dos grandes países emergentes, como a China e o Brasil, está crescendo.

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setembro 22, 2007

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A incansável tragédia das queimadas sem controle, por Henrique Cortez

A tragédia das queimadas sem controle repete-se incansavelmente, ano após ano. Os criminosos são os mesmos de sempre e fazem parte da mesma sociedade abalada e prejudicada pela irresponsabilidade daqueles que sempre afirmam ”apenas” ter queimado um inocente roçado.

Todo grande incêndio florestal começa com uma ”inocente” queima de roçado, que qualquer produtor rural sabe ser o inicio dos incêndios florestais, ainda mais em época de estiagem.

Sabem, mas pouco se importam. Pouco se importam que, além dos inestimáveis prejuízos ao patrimônio natural, causam sérias conseqüências à saúde pública, atingindo principalmente as crianças e os idosos. Crianças e idosos dos outros.

A queima é simples, fácil e barata. Mas, entenda-se como barata porque todos os custos sócio-ambientais serão diretamente transferidos para a sociedade.

A destruição tem sempre a mesma causa – as queimadas ilegais por fazendeiros, pecuaristas e produtores rurais.

A fumaça e as cinzas atentam contra a saúde da população da periferia das cidades e populações indígenas. Populações com que o agronegócio e as autoridades não se preocupam. Melhor dizendo, não ligam mesmo.

A tragédia das queimadas sem controle é um imenso desastre sócio-ambiental, pelas suas conseqüências à saúde pública, pela destruição de centenas de nascentes e olhos d’água, pela modificação do micro-clima e, ao longo do tempo, por potencializar os períodos de estiagem.

Esta agro-selvageria irresponsável fará com que as próximas gerações recebam, como herança, apenas as cinzas da Amazônia e do Cerrado

As fotos abaixo, do incêndio no Parque Nacional de Brasília, ótimo trabalho do fotógrafo Antonio Cruz, da Abr, dão uma boa mostra do que acontece no Cerrado

Henrique Cortez, coordenador do EcoDebate

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setembro 21, 2007

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Cobertura especial Rio+15

Matérias deste especial

* Comissão Interministerial de Mudança Global no Clima: Combate ao aquecimento global avançou muito em 15 anos

* Brasil emitirá 13 toneladas de gases a menos em 2008, prevê representante do governo

* Para pesquisadora, Brasil deve aumentar empenho, sem metas, para emitir menos CO2

* Ativista critica mercantilização gerada pelo Protocolo de Quioto

* Para pesquisadora, desenvolvimento limpo avançou pouco nos 15 anos após a Rio-92

Comissão Interministerial de Mudança Global no Clima: Combate ao aquecimento global avançou muito em 15 anos

Adriana Brendler

O secretário executivo da Comissão Interministerial de Mudança Global no Clima, vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, José Miguez, avaliou como positivos os avanços realizados no mundo para enfrentar a ameaça do aquecimento global desde a realização desde a Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente e o Desenvolvimento, a Rio-92 (ou Eco-92).

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setembro 21, 2007

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A Boa Notícia vem do Saneamento, por Roberto Malvezzi (Gogó)

admin

[EcoDebate] Uma das diferenças positivas entre Lula e seus predecessores é a sensibilidade social, embora, como economistas já tenham sinalizado essa semana, o modelo econômico seja o mesmo e um dos piores. Além do mais é predador.

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setembro 21, 2007

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Águas penosas, por Paulo R. Haddad

admin

O Brasil está comemorando dez anos da edição da Lei das Águas, com um balanço bastante favorável dos resultados obtidos

[O Estado de S.Paulo] Instalou-se o Conselho Nacional de Recursos Hídricos, criou-se a Agência Nacional de Águas (ANA), assim como a Secretaria de Recursos Hídricos (a atual SRHU) do Ministério do Meio Ambiente. Agregam-se a esse esforço a criação de 7 Comitês Nacionais de Bacias Hidrográficas e a instalação de 133 Comitês Estaduais. Em 2 desses Comitês Nacionais, já se dispõe de todos os instrumentos de gestão implantados.

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setembro 20, 2007

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Entidades enviam carta a Lula contra a liberação de transgênicos

Em carta encaminhada ao presidente Lula na última semana, entidades que constituem o Fórum Nacional pela Reforma Agrária questionam a liberação do milho transgênico Liberty Link da Bayer. Na carta os movimentos afirmam que a liberação vai destruir a economia agrícola familiar camponesa do país.

No documento, as entidades afirmam que a visão Comissão Nacional de Biossegurança (CTNBio) está viciada, já que a maioria de seus membros está comprometida com o desenvolvimento de transgênicos e não com a avaliação de seus impactos. Além disso, vários integrantes da Comissão possuem conflitos de interesse, pois fazem pesquisas e elaboram pareceres para as empresas transnacionais que dominam o mercado de transgenia.

A liberação do milho foi feita pela CTNBio em maio desse ano, depois de um processo polêmico. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama) acreditam que a liberação foi feita sem os devidos estudos para garantir que esses produtos não fazem mal à saúde e ao meio ambiente. Isso sem contar a falta de abertura à participação de outros segmentos da sociedade civil. Em agosto, a CTNBio também autorizou a comercialização do algodão Bt Bollgard da Monsanto, também sem critérios ou estudos.

“A liberação comercial dos transgênicos é uma séria ameaça às sementes crioulas e pode inviabilizar a continuidade da construção de um modelo sustentável de agricultura baseado na agroecologia”, diz a carta. As entidades e movimentos sociais esperam que o presidente Lula interfira no processo determinando ao Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS) que suspenda as liberações comerciais dos transgênicos, bem como para que o CNBS edite regras que assegurem a coexistência de espécies transgênicas e não transgênicas.

Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo

Excelentíssimo Senhor,
LUÍZ INÁCIO LULA DA SILVA
Presidente da República do Brasil

O povo brasileiro concedeu ao Senhor o segundo mandato para que pudesse liderar as mudanças de que o Brasil necessita como a realização de uma reforma agrária ampla e massiva, associada a outras políticas públicas essenciais à implantação de um modelo de desenvolvimento rural sustentável, na sua dimensão social, econômica e ambiental, garantidor da efetivação dos direitos fundamentais dos homens e das mulheres do campo.

No entanto, a cada dia que passa vemos essas mudanças mais distantes, em razão da expansão avassaladora do agronegócio e das transnacionais da agricultura, mediante a incorporação de extensas áreas à implantação de culturas voltadas preferencialmente à geração de energia alternativa, em detrimento da produção dos gêneros alimentícios de primeira necessidade, bem assim, através do controle de toda a cadeia produtiva, desde o fornecimento das sementes até a comercialização dos produtos agrícolas no mercado internacional, exercido por essas empresas.

Nosso país não pode se submeter à força do poder econômico dessas corporações. Não podemos aceitar que controlem nossas sementes. As liberações irresponsáveis dos produtos transgênicos, sem critérios e sem estudos que atestem sua compatibilidade com a saúde humana e animal, revelam que o Brasil está renunciando à sua soberania e colocando em perigo sua biodiversidade e a saúde de seu povo para beneficiar as grandes empresas transnacionais.

Na nossa visão a CTNBio está viciada, já que a maioria de seus membros está comprometida com o desenvolvimento de transgênicos e não com a avaliação de seus impactos. Além disso, vários integrantes da Comissão possuem conflitos de interesse, pois fazem pesquisas e elaboram pareceres para as empresas que dominam a transgenia.

A liberação comercial dos transgênicos é uma séria ameaça às sementes crioulas e pode inviabilizar a continuidade da construção de um modelo sustentável de agricultura baseado na agroecologia. Até o momento o governo não apresentou proposta para lidar com esse problema e conter a contaminação de nossas sementes pelos transgênicos. Primeiro foi a soja. Agora, essas empresas querem dominar o mercado do milho.

Em maio, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) liberou os milhos transgênicos da Bayer. Mas a Anvisa e o Ibama acreditam que a liberação foi feita sem os devidos estudos para garantir que esses produtos não fazem mal à saúde e ao meio ambiente. Em agosto, foi o vez da liberação comercial da Monsanto, também sem critérios ou estudos.

Entre os principais riscos dos transgênicos estão as alergias alimentares e a criação de resistência a antibióticos, sem falar na afetação do meio ambiente e no comprometimento da reprodução das diferentes formas de vida. A Anvisa acredita que os dados apresentados pelas empresas “são insatisfatórios e pouco esclarecedores”. O Ibama entende que o milho transgênico causará sérios e irreversíveis prejuízos à nossa biodiversidade, porque contaminará as demais espécies de milhos crioulos e convencionais, cultivadas milenarmente por pequenos produtores.

Com o milho transgênico, Senhor Presidente, os consumidores, os produtores e o Brasil perdem. Só as empresas transnacionais de biotecnologia ganham.

Por essa razão, nos dirigimos a Vossa Excelência para pedir que determine ao Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS) que suspenda as liberações comerciais dos transgênicos, bem como para que o CNBS edite regras que assegurem a coexistência de espécies transgênicas e não transgênicas
Estamos cansados de ver os interesses dos grandes grupos econômicos se sobrepor aos interesses do povo. Esperamos que Vossa Excelência não permita que o milho transgênico destrua nossa biodiversidade e coloque em risco a saúde dos brasileiros e brasileiras.

Fórum Nacional de Reforma Agrária e Justiça no Campo

CONTAG – MST – FETRAF – CUT – CPT – CÁRITAS – MMC – MPA – MAB – CMP – CONIC – CONDSEF – Pastorais Sociais – MNDH – MTL – ABRA – ABONG – APR – ASPTA – ANDES – Centro de Justiça Global – CESE – CIMI – CNASI – DESER – ESPLAR – FASE – FASER – FEAB – FIAN-Brasil – FISENGE – IBASE – IBRADES – IDACO – IECLB – IFAS – INESC – MLST – PJR – REDE BRASIL – Rede Social de Justiça – RENAP – SINPAF – TERRA DE DIREITOS

publicada pelo EcoDebate.com.br – 20/09/2007

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setembro 20, 2007

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Entrevista com Heitor Scalambrini Costa: Mudança na matriz energética requer transformações nos padrões atuais de produção e consumo

[IHU On-line] O sistema energético com base em hidrelétricas é insustentável e prejudicial às populações ribeirinhas, afirma o professor Heitor Scalambrini Costa, da Universidade Federal do Pernambuco (UFPE), em entrevista por e-mail, à IHU On-Line. De acordo com o professor, as hidrelétricas previstas no rio Madeira e Xingu são desnecessárias para atender às necessidades elétricas do país. Em sua percepção, elas foram projetadas com o objetivo de “beneficiar as indústrias do setor eletrointensivo, como as empresas produtoras de ferro, celulose e alumínio primário, que são grandes consumidoras (e desperdiçadoras) de energia”.

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setembro 20, 2007

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Le Monde: A Amazônia está sendo sufocada pela soja

admin

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Hubert Prolongeau*

[Le Monde] O pequeno avião levantou vôo. A floresta estende-se até onde a visão alcança, como se fosse uma cabeça imensa cuja cabeleira se confunde com o céu. A Amazônia. O pulmão do planeta. A fortaleza verde. Então, de uma só vez, o rasgão aparece. A floresta se abre. Ferida. Arrasada. O pulmão está tossindo. A fortaleza é tomada por rachaduras. De repente, a paisagem desolada. Troncos abatidos estão espalhados no chão, até encobrir tudo, embora os mais resistentes não tenham nenhuma forma definida, a não ser a de um toco enegrecido pela fumaça. A terra deixa aparecer a sua última camada, arranhada até a morte pelos sulcos das culturas. Às vezes, ainda emerge em meio à maré dos campos, solitário e incongruente, o tronco de uma castanheira. Um sobrevivente.

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setembro 20, 2007

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Água é vida – Água misturada com Fezes é morte, por Norbert Suchanek

Os ingleses sempre foram excêntricos. É possível por causa disso, o sanitário com água, que nós conhecemos hoje, foi patenteada no ano de 1775 por um inventor inglês com o nome de Alexander Cummings. E no ano de 1810, nas cidades da Inglaterra foram instalados estes primeiros sanitários com água. O resultado deste “desenvolvimento” tecnológico inglês foi a morte de vários rios na Europa em poucas décadas e na morte de milhares de pessoas por causa de doenças transportadas com a água dos sanitários patenteados nos rios e lagoas. Doenças como cólera e tifo, que nós chamamos hoje doenças tropicais, mataram no meio do século 19 milhares de pessoas em cidades européias famosas como Hamburgo e Munique. No final do século 20 e no início do século 21 o governo brasileiro instalou estes sanitários do século 19 nas aldeias dos povos indígenas.

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setembro 20, 2007

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Transgênicos no governo Lula: liberdade para contaminar, por Marijane Vieira Lisboa

Entre as diversas decepções que o governo Lula reservou ao seu eleitorado, a política ambiental foi uma das mais notáveis. Capitaneado por uma figura emblemática como Marina Silva, fortemente apoiada por organizações ambientalistas e movimentos sociais como o MST, a CUT, tudo indicava que o Ministério do Meio Ambiente assumiria um papel destacado no conjunto das políticas públicas do governo Lula. Surpreendentemente, não só a atuação do MMA foi medíocre e apagada, como em algumas questões o governo Lula significou um real retrocesso frente ao governo FHC. Uma destas foi o fato de ter retirado da gaveta o projeto de transposição do Rio São Francisco, que no governo FHC contou com a forte oposição do Secretário Executivo do Ministro Sarney Filho, Dr .José Carlos de Oliveira, mais tarde ministro de Meio Ambiente. Mas o retrocesso mais notável foi na área de biossegurança, ao se editar Medidas Provisórias para “legalizar” o plantio clandestino de soja transgênica e promulgar uma nova lei de Biossegurança com o intuito explícito de retirar do IBAMA os seus poderes constitucionais para avaliar estudos de impacto ambiental e conceder licença ambiental. Em seu tempo de ministro, Sarney Filho refutara energicamente propostas nesse sentido, pois considerava que tal medida significaria um retrocesso inaceitável para a legislação ambiental do país.

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setembro 19, 2007

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As alternativas energéticas ameaçam o futuro, por Leonardo Boff

[EcoDebate] Pertence aos que se dedicam ao pensamento, refletir sobre os destinos da sociedade em que vivem e, ousadamente, também os destinos do planeta e da humanidade. Digo isso a propósito do novo estado da Terra produzido pelo aquecimento global, à esta altura irrefreável. A grande maioria não se dá conta das conseqüências que advirão de tal verificação empiricamente comprovada.

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setembro 19, 2007

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A conta da água, por Danilo Pretti Di Giorgi

[Correio da Cidadania] Se você digitar “economizar água” no Google, vai encontrar muitas dicas do tipo lavar o carro com um balde ao invés da mangueira, fechar a torneira enquanto escova os dentes ou usar a água da máquina de lavar roupas para lavar o quintal. A conta do problema de água que o mundo já enfrenta e certamente irá enfrentar cada vez mais parece recair exclusivamente sobre os consumidores residenciais. Mas o que as pessoas parecem não se dar conta é que o uso doméstico representa apenas 18% do consumo de água no Brasil, segundo dados da ONU. É claro que há desperdícios a serem corrigidos, mas as pessoas não questionam e nem discutem o uso dos 82% restantes, que são empregados na agricultura, na pecuária e na indústria. A maior parte (63% do total) vai para a irrigação – quase sempre subsidiada pelo governo -, mas é curioso observar que menos de 5% da área plantada no país é irrigada.

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setembro 18, 2007

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Pressão ambiental da dos biocombustíveis torna decisiva a construção de um mapa das áreas prioritárias para conservação

Estratégia de compensação
Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – Cerca de 180 pesquisadores participaram na última sexta-feira (14/9), no Instituto de Botânica, em São Paulo, de um workshop com a proposta de traçar um mapa que indique as áreas prioritárias para ações de conservação e de restauração da biodiversidade em território paulista.

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setembro 18, 2007

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A Comissão de Bionergia de São Paulo, por Ana Echevenguá

A bioenergia está na agenda dos investidores internacionais porque é uma alternativa rentável para substituir o uso do petróleo. E o Brasil, que reúne condições geográficas e tecnológicas estratégicas para os investimentos no agronegócio, está atraindo esses investidores.

Mas o Brasil ainda não conta com um mercado para bioenergias. Não há estudos sobre a demanda deste produto e são raras as políticas públicas favoráveis à sua produção. A estrela da hora é uma pseudo-bioenergia: o ‘biodiesel’ que nada mais é do que 98% de diesel e 2% de uma mistura que contém óleo vegetal.

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setembro 18, 2007

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Resposta da Céleres ao artigo de Jean Marc Von Der Weid, Soja transgênica: tudo contra

Prezado Henrique Cortez,

Com respeito ao artigo do Sr. Jean Marc Von Der Weid “Soja transgênica: tudo contra”, publicado pelo Ecodebate no último dia 06, a Céleres gostaria de fazer algumas observações pontuais:

1. A Céleres é uma empresa de consultoria privada, independente, especializada no acompanhamento dos temas econômicos relacionados ao agronegócio brasileiro. Causa-nos profunda estranheza que o Sr. Jean Marc refira-se à nossa pesquisa “Benefícios econômicos e ambientais da biotecnologia no Brasil” de forma pejorativa, uma vez que a Céleres possui reputação ilibada e é hoje referência em seu setor.

2. Nos últimos anos, a Céleres pesquisou in loco a situação econômica e agronômica da produção da soja tolerante a herbicidas (TH), conhecida comercialmente como soja RR. Avaliamos não só os benefícios econômicos diretos da sua adoção – como a redução de custos – mas também os benefícios indiretos, como a melhora na gestão do tempo das práticas agrícolas.

3. Na safra 2004/05, após visitarmos os seis principais estados produtores, concluímos em campo o que já se especulava: os resultados econômicos da adoção da soja TH eram, ao contrário do que pensa o Sr. Jean Marc, positivos. E comprovamos também que o grau de benefício decrescia na medida em que variedades ilegais eram cultivadas em regiões não adaptadas; no caso, as zonas de produção do Centro-Oeste do País. Isso comprovou que a falta de variedades transgênicas adaptadas a certas regiões trazia, sim, perdas econômicas.

4. Vale ressaltar que, nessa pesquisa, era imperativo que o produtor entrevistado cultivasse tanto a soja convencional quanto a soja TH, para melhor avaliarmos a percepção dos benefícios indiretos. Assim, a Céleres foi pautada por metodologias científicas e críveis, como em todos os seus outros levantamentos.

5. Ao calcular o benefício econômico da adoção da soja TH no Brasil, a Céleres partiu de observações de campo sob as mais diferentes condições de produção que existem no Brasil. Destas observações, chegamos à estimativa de benefício de 2,1 bilhões de dólares acumulados desde a safra 1996/97, quando detectou-se os primeiros campos de soja TH no Brasil. Deste benefício, a maior parcela foi capturada pelo produtor rural (71%), fato que explica a crescente adoção da biotecnologia no Brasil, a despeito da propaganda em contrário.

6. Diante do padrão observado nos demais países que adotam a tecnologia, chegamos ao “potencial” de benefícios econômicos da ordem de US$ 4,6 bilhões. Ou seja, ao contrário do que disse o Sr. Jean Marc, o nosso estudo apontou que o Brasil perdeu por não regularizar com celeridade a adoção da soja TH. No mesmo período, nossa vizinha Argentina foi extremamente beneficiada com a mesma tecnologia.

7. O artigo do Sr. Jean Marc distorce o nosso estudo ao afirmar que consideramos níveis elevados de produtividade de maneira indiscriminada para todo o País. O estudo é claro em afirmar que, devido à ausência de variedades GM adaptadas às diferentes regiões produtoras do país, os níveis de produtividade são irregulares. A partir das nossas observações de campo, constatamos que na região Sul, onde a adaptação das sementes trazidas ilegalmente da Argentina é melhor, o nível de produtividade é equivalente ao das variedades convencionais, em particular o das sementes de “paiol”. Da mesma forma, o estudo mostra que no Centro-Oeste, onde os produtores também trouxeram sementes já replicadas no Sul do país, a produtividade da soja TH era menor do que a observada na cultura convencional: “Para os produtores do Centro-Oeste e Nordeste, o nível dos benefícios quantitativos e qualitativos da adoção da soja GM, foi comprometido pela não disponibilidade de sementes adaptadas, …, ao ponto que na maior parte dos casos observados, o resultado econômico direto com o uso da soja GM era inferior ao da soja convencional.”

8. O Sr. Jean Marc afirma ainda, de forma equivocada, que a Céleres não considerou nenhum ganho de produtividade no cálculo do benefício econômico da adoção da soja TH. Nosso estudo leva em conta, também com base nas nossas observações de campo, uma diferença média de 6,6% na produtividade obtida entre os dois tipos de soja.

9. O artigo também constrói uma intrincada linha de referências para desqualificar as fontes utilizadas no estudo da Céleres. Quanto ao cálculo da PG Economics que aponta uma redução de custos de 73 dólares por hectare com a adoção da soja TH no Brasil, nossas pesquisas de campo constataram que os números da consultoria inglesa são compatíveis com a realidade. Constatamos que, só com a redução no custo com herbicidas, produtores do Paraná e do Rio Grande do Sul reduziram os gastos em mais de 60 dólares por hectare.

10. O Sr. Jean Marc critica também o estudo da Arcádia International, feito entre 2001 e 2002 e publicado em 2003, que aponta uma redução média de US$ 35 por hectare no custo comparativo entre a soja TH e a soja convencional. A Céleres participou desta pesquisa, levantando dados para a Arcádia International no Brasil. O nosso estudo de 2004/05 mais do que validou as observações da entidade belga, apontando uma redução média de 43 dólares por hectare no gasto com herbicida.

11. O ataque às fontes diretas e indiretas de nosso estudo culmina com a crítica à metodologia de um relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), órgão que, de tão preciso e bem-conceituado, é a mais importante referência na formação de preços das commodities agrícolas em todo o mundo.

12. O texto também diz que a Céleres não incluiu nos cálculos o pagamento de royalty à detentora da tecnologia. No nosso estudo de 2004/05, levantamos que a diferença entre o custo direto total do plantio da soja convencional comparado com a soja TH foi de US$ 50,1 por hectare, aí incluso o pagamento dos direitos aos detentores da tecnologia.

13. Por fim, é essencial deixar claro que a Céleres em nenhum momento propõe às autoridades competentes “atropelar” os procedimentos legais existentes no Brasil que tratam da liberação de organismos geneticamente modificados. Entendemos, inclusive, que o Brasil possui uma legislação moderna no tema e que deve ser respeitada a atuação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) – que é o órgão científico (e não religioso) responsável pelas avaliações sobre OGMs.

Ademais, as críticas do Sr. Jean Marc às conclusões da Céleres soam fora de lugar e de espaço, considerando que hoje a prova mais contundente dos benefícios econômicos da soja TH está na própria adoção, cada vez maior, dessas variedades pelos agricultores do Brasil e do mundo. De volta ao campo na safra 2006/07, visitamos os mesmos produtores da pesquisa de 2004/05 e observamos que, em vários casos, agricultores que há três anos cultivavam os dois tipos de soja passaram a plantar apenas a soja TH, após comprovarem as vantagens da sua adoção.

Tendo em vista o caráter democrático que sempre caracterizou este veículo de comunicação, contamos com sua compreensão para que esta resposta tenha o mesmo destaque que mereceu o artigo do Sr. Jean Marc.

Atenciosamente,

Anderson Galvão

Sócio diretor da Céleres, empresa de consultoria especializada em agronegócios, baseada em Uberlândia, Minas Gerais. Sócio da Arcádia International (www.arcadia-international.net), empresa especializada em cadeias agroalimentares baseada em Bruxelas, Bélgica.

Engenheiro agrônomo formado pela Universidade Federal de Uberlândia. Pós-graduado em administração de empresas pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas. Atua na área de análise setorial agrícola desde 1996. Implementou e coordenou a área de consultoria agrícola da FNP Consultoria & Comércio de São Paulo.

Ao longo desse período, desenvolveu e coordenou diversos trabalhos relacionados à análise econômica e setorial do Complexo Soja Brasileiro. Teve também, destacada atuação na área de administração de riscos com o uso dos mercados futuros da BM&F e da Chicago Board of Trade.

É membro do board do ISAAA – International Service for the Acquisition of Agri-biotech Applications (www.isaaa.org), atuando na área de biotecnologia.

publicado no EcoDebate.com.br – 18/09/2007

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